Problemas no Internato: Mobilização estudantil por mudanças

Desde o dia 27 de maio de 2013, os estudantes do curso de medicina da UFSM vêm se reunindo para discutir as condições do curso. Devido aso depoimentos dos estudantes do internato, sentiram necessidade de realizar assembleia em busca de soluções para os diversos problemas no Internato Curricular.

ImagemEm três assembleia construíram pautas de reivindicações, que foram posteriormente entregues à coordenação do curso de medicina. ImagemNo momento em que foram entregue as pautas, cerca de 20 estudantes de diversos semestres do curso e integrante do Diretório Acadêmico pediram a convocação de uma reunião extraordinária do colegiado, tendo como única pauta o internato, que acontecerá no dia 27 de junho. Nessa reunião os integrantes do colegiado e chefes de departamento serão convidados a participar da Assembleia Geral, que ocorrerá dia 28 de junho, 11h45min no auditório do CCS, cuja presença da Coordenação do curso já está confirmada.

Abaixo seguem as reivindicações dos estudantes

I. Organização do internato

1. No início de cada estágio, gostaríamos de ter uma reunião de apresentação do departamento, para que pudéssemos conhecer os profissionais e residentes daquela clínica, os locais em que podemos atuar e a organização interna do internato. O que sabemos do funcionamento do internato ocorre basicamente por troca de informações com os colegas que já passaram por ele.

2. Delimitação de um Plano de Práticas Básicas no internato, onde são elencadas práticas e habilidades de conhecimento necessário para cada centro do internato, no qual o estudante deve se basear durante o estágio e orientar as suas demandas junto ao preceptor (exemplo: que todo aluno possa se formar tendo conhecimento teórico e prático de RCP, intubação oro traqueal, acessos venosos centrais e periféricos, parto vaginal e etc). Assim, evitando que o aluno caia em pura prestação de serviços manuais e repetitivos, como vem ocorrendo.

3. Solicitamos que a avaliação do interno durante o estágio deve se basear na qualidade do estágio desenvolvida pelo estudante, e não por questões pessoais ou políticas e que, além disso, essa avaliação seja feita exclusivamente pelos professores responsáveis de cada centro e não pelos residentes – como vem ocorrendo – visto que essa é função dos preceptores que, para tal devem estar presentes no hospital acompanhando as atividades dos acadêmicos.

4. Necessitamos de acessibilidade em TODOS os espaços do Internato, pois temos colegas cadeirantes nos primeiros semestres do curso, e eles devem ter as mesmas condições de aprendizado que qualquer outro estudante do curso.

II. Preceptoria

a. Necessitamos que os preceptores estejam SEMPRE presentes no seu posto de trabalho EM TODAS AS AREAS DE ESTÁGIO do internato, especialmente nos setores como a Gineco-obstetrícia, a traumatologia, a cirurgia, o PA cirúrgico e o PA clínico, para dar orientação e tirar dúvidas dos alunos, já que isso não ocorre com frequência nesses estágios, e os estudantes ficam reproduzindo trabalhos repetitivos, pouco didáticos, suprindo a falta de trabalhadores no hospital. Esse quadro acarreta atraso nos atendimentos, acumulo dos pacientes e sobrecarga do residente e do acadêmico.

b. A falta de preceptoria nesses locais ocasiona situações graves como atraso no atendimento de intercorrências e urgências, causando sequelas e agravando problemas dos pacientes. Durante o atendimento, muitas vezes, nos sentimos desamparados frente à necessidade de tomada de decisões importantes. Nesses casos, nossas condutas não se pautam no aprendizado, mas na simples reprodução dos atendimentos que acontecem a nossa volta.

c. Muitas das tarefas dos doutorandos são determinadas pelos residentes, sendo que esta não deve ser uma responsabilidade deles. Frente a isso, pedimos que APENAS o preceptor defina as funções do interno, bem como sua avaliação e orientação. Sentimos que há também a necessidade de uma delimitação mais clara a respeito das funções de internos e residentes.

III. Carga horária do internato

a. Reestruturação imediata das escalas do internato para que não ocorra a divisão desproporcional entre as turmas do internato nas diversas clínicas e estágios, que ocasionam turmas que passam em “mais e menos”.)

b. QUE EM HIPÓTESE ALGUMA SEJA EXCEDIDA A CARGA HORÁRIA de cada clínica com relação ao que está presente no currículo.

I.         Internato em Clínica Médica – 960 horas;

II.        Internato em Cirurgia – 480 horas;

III.       Internato Materno-Infantil – 960 horas;

IV.       Internato em Urgência e Emergência – 480 horas;

V.        Internato em Saúde Coletiva – 480 horas;

VI.       Internato Regional – 240 horas;

VII.     Internato Eletivo – 240 horas.

IV. Relação Medicina UFSM e Prefeitura de Santa Maria

1. Não temos acesso ao acordo entre a universidade e as unidades de saúde de Santa Maria. Queremos saber se esse contrato existe e ter acesso a ele. Caso ele não exista, que seja elaborado de forma a garantir condições adequadas de aprendizado e oficializar esses estágios.

V. Assistência estudantil e condições de trabalho

1. Caso soframos algum acidente de trabalho, incluindo o biológico, não temos atendimento, suporte ou orientações. Prezando pela nossa saúde, pedimos que seja implantado para os estudantes de medicina o protocolo de atendimento a acidentes e se possível um seguro fornecido nesses casos.

2. Durante os estágios que precisamos fazer fora da UFSM temos que nos deslocar a locais distantes, de difícil acesso, e não recebemos alimentação, precisando cobrir os gastos com alimentação e transporte com nosso próprio dinheiro. Frente a isso, pedimos vale transporte ou uma bolsa de auxílio, para cobrir as diversas despesas desse estágio durante seu período.

3. Durante o internato ficamos quase 24 meses sem férias. Exigimos frente a isso a implantação de um período de férias a cada ano de internato, a exemplo do que acontece na maioria das universidades, a ser definido previamente pela comissão do internato.

4. Implementação do Pós-Plantão, pois quando os estudantes prestam tal atividade não são liberados do cronograma do dia seguinte, causando déficit no aprendizado e na realização das atividades.

VI. Urgência e Emergência

1. Traumato-ortopedia:

 a. Necessidade de aulas teóricas, acessíveis a todos os estudantes que estão passando por essa clínica, programadas e avisadas com antecedência, dadas pelo preceptor.

b. A evolução dos pacientes do andar da traumato-ortopedia não deve ser realizada pelos estudantes que estão passando na Urgência e emergência, como ocorre atualmente. Entendemos que o estágio de traumato-ortopedia deve ser realizado no PA com a presença do preceptor, possibilitando o aprendizado de procedimentos básicos de traumatologia.

2. Patronato:

a. Neste estágio temos sérios problemas com questões de segurança. Já houve casos de assalto e tentativa de agressão a estudantes. Sentimos, devido a isso, a necessidade de um segurança da universidade, presente no local do estágio para garantir a segurança dos estudantes, e não do patrimônio, como ocorre atualmente.

b. Também por questões de segurança, pedimos a reorganização das escalas desse estágio, para que não haja a necessidade de plantões noturnos, mas sim, dois plantões diurnos (por exemplo: primeiro turno das 8h às 12h, segundo turno 13h30min às 17h30min).

c. Entendemos a importância e o grande aprendizado que esse estágio no Patronato nos proporciona, e que devemos continuar nesse campo. No entanto, sentimos que os diversos problemas já citados atrapalham o nosso aprendizado e a qualidade do atendimento aos pacientes.

e. Exigimos preceptoria qualificada no patronato.

VII. Gineco-obstetrícia

1. CO:

a. A ausência da maioria dos preceptores nas salas de parto dificulta ou impossibilita o aprendizado de procedimentos básicos, como a realização de um parto vaginal, restringido nossa atuação a atividades burocráticas.

b. Percebemos que é necessária a triagem no atendimento inicial do CO, pois os atendimentos acabam sendo realizados sem priorizar os casos mais graves, e abrindo a possibilidade para atendimentos por indicação pessoal, isso acaba resultando em sobrecarga de funcionário e estudantes.
c. Pedimos também camas dentro do CO, pois durante o plantão não temos local adequado de intervalo, e acabamos dormindo no chão.

2. Andar da obstetrícia

a. Os estudantes (internos e residentes) são os únicos responsáveis pelas evoluções dos pacientes dessa unidade. Para que seja possível atender todos os pacientes, precisamos fazer os atendimentos de maneira rápida e automática, sem dar devida atenção aos pacientes. Sentimos a necessidade da contratação de mais funcionários e preceptores, pois o excesso de pacientes referente ao número de funcionários acaba sobrecarregando os estudantes, transformando uma atividade que deveria ser acadêmica em predominantemente laboral.

 
VIII. Pediatria

a. Tem preceptoria sempre presente. É o estágio do internato que menos tem problemas, o mais organizado dentro do HUSM. O maior problema é a diferença nas escalas de mais e menos. Percebemos que falta preceptores contratados e na UTI Neonatal. Dois professores se aposentaram e ainda não foram repostos e dois estão por via de se aposentar.


IX. Internato em saúde coletiva

a. Nas unidades de saúde em Santa Maria não há preceptor, e a orientação é realizada pelo médico contratado da unidade, que não possui vínculo educacional com a universidade. Esse fato além de comprometer a qualidade do nosso aprendizado, sobrecarrega um funcionário com funções que não são de responsabilidade dele.

 
X. Internato regional

a. Exigimos a preceptoria nos locais de estágio.

b. Exigimos que a bolsa auxílio seja paga sem atrasos, já que esse valor auxilia nossa estadia.

c. Manutenção do auxílio alimentação nesse estágio.

d. Prestação de contas com o dinheiro repassado a coordenadoria d esse estágio.

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Sobre dazef

Diretório Acadêmico José Mariano da Rocha Filho
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